quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Sempre defendi as coisas bobas. Sempre assumi ter coração sem comportamento, coração bobagem.

Acho bonito coisa boba. Acho sincero coisa boba. Acho honesto a bobagem de cada um. A gente é tão bobagenzinha...

Aí hoje a Clarice, que nunca li em excesso como descoberta de mundo na adolescência (ao contrário de grandes sensíves, por vezes chatos pra caralho, ao menos na adolescência, do tipo : "a paixão segundo GH" mundou minha vida...e era aquela garota que não comunicava e só chorava o mundo? lado bom: era bobinha boa), enfim, hoje eu li algo revelador, compactuante, impactante. Pego trechos de ternura......



"O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir, tocar no mundo.
O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo, estou pensando”.
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.
O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver.
O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer.
Resultado: não funciona.
Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro.
Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e, portanto estar tranqüilo.
Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros.
Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu.
Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos.
Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás, não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.
É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca.
É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo."


In “A Descoberta do Mundo”



Olha a descoberta...do mundo...

domingo, 4 de novembro de 2007

Um Adeus



"O fato é que, tendo uma vez se encontrado na parte secreta deles mesmos, resultara na tentação e na esperança de um dia chegar ao máximo.



Que máximo?



Que é, afinal, que eles queriam?




Eles não sabiam, e usavam-se como quem se agarra em rochas menores até poder sozinho galgar a maior, a difícil e a impossível; usavam-se para se exercitarem na iniciação; usavam-se impacientes, ensaiando um com o outro o modo de bater asas para que enfim — cada um sozinho e liberto pudesse dar o grande vôo solitário que também significaria o adeus um do outro. Era isso? Eles se precisavam temporariamente, irritados pelo outro ser desastrado, um culpando o outro de não ter experiência. Falhavam em cada encontro, como se numa cama se desiludissem.




O que é, afinal, que queriam? Queriam aprender. Aprender o
quê? eram uns desastrados.




Oh, eles não poderiam dizer que eram infelizes sem ter vergonha, porque sabiam que havia os que passam fome; eles comiam com fome e vergonha. Infelizes? Como? se na verdade tocavam, sem nenhum motivo, num tal ponto extremo de felicidade como se o mundo fosse sacudido e dessa árvore imensa caíssem mil frutos.




Infelizes?



se eram corpos com sangue como uma flor ao sol. Como? se estavam para sempre sobre as próprias pernas fracas, conturbados, livres, milagrosamente de pé, as pernas dela depiladas, as dele indecisas mas a
terminarem em sapatos número 44.




Como poderiam jamais ser infelizes seres assim?



Eles eram muito infelizes. Procuravam-se cansados, expectantes,forçando, uma continuação da compreensão inicial e casual que nunca se repetira — e sem nem ao menos se amarem. O ideal os sufocava, o tempo passava inútil, a urgência os chamava — eles não sabiam para o que caminhavam, e o caminho os chamava. Um pedia muito do outro, mas é que ambos tinham a mesma carência, e jamais procurariam um par mais velho que lhes ensinasse, porque não eram doidos de se entregarem sem mais nem menos ao mundo feito. (...)




O tempo ia passando, nenhuma idéia se trocava, e nunca, nunca eles se
compreendiam com perfeição como na primeira vez em que ela dissera que sentia angústia e, por milagre, também ele dissera que sentia, e formara-se o pacto horrível. E nunca, nunca acontecia alguma coisa que enfim arrematasse a cegueira com que estendiam as mãos e que os tornasse prontos para o destino que impaciente os esperava, e os fizesse enfim dizer para sempre adeus. Talvez estivessem tão prontos para se soltarem um do outro como uma gota de água quase a cair, e apenas esperassem algo que simbolizassea plenitude da angústia para poderem se separar."
Da Clarice

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Coração mistura amores. Tudo cabe....
Tá cabendo tudo...Remexilhão de tudo, nostalgia de um mundo bem imaginário, todo meu?
E essas fotos?
E estas cartas?
O que fazemos com tudo isso?
Sou daquelas que guarda...Memória fraca, será? Se eu ainda tremo tanto..diante de..diante...de...
Meus amores, ainda os amo!!!
E sempre amarei, pois não esqueço!
Não esqueço porque...tudo cabe, tudo...

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Um estado de "noiva", um estado de espera do dia, um estado de amor, um estado de escolha, de realização, de de..., de não precisar mais ser autodestrutiva e simplesmente aceitar o amor:

"Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não consegurás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dele, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dele(...)"

Tem coisa mais autodestrutiva que insistir sem fé nenhuma?

Tem coisa mais autodestrutiva que insistir sem fé nenhuma?
Tem coisa mais autodestrutiva que insistir sem fé nenhuma?
Tem coisa mais autodestrutiva que insistir sem fé nenhuma?

Menino, menino.
Vou tentar te dizer pela última vez.
"Não venha me dizendo que você não pode impedir, que estão batendo embaixo e dentro e duro...que tudo que você quer é uma chance..."
Menino, sempre menino.
Você não está fazendo o que quer ou não está fazendo bem.
Você precisava pegar aquele navio, você precisava para de se fazer de vítima, você precisava ficar sozinho em Buenos Aires. " você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar." Menino, você precisava bater dentro e duro e forte. Você, precisava, você precisava...Confesso que penso as vezes no que você precisava.
Mas acho que a cada dia você arruma um motivo diferente e....você não está fazendo oque quer...ou não está fazendo bem!!!!!!
Pensando, menino, você é frágil. E isso não é bom. você precisava bater dentro e...
E você não sabe que qualquer um te lê, por mais desculpas que você invente?
Não entende, Homem?

Penso as vezes em você e confesso que penso. Faltaram milhões de palavras. Ou não.
Mas, a célebre, a que eu digo e sempre diria hoje: menino, menino, tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma?

Tem?

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Para Kierkegaard



Finito com o infinito
Temporal do eterno
Necessidade e possibilidade

Estou medindo minha espiritualidade pela minha capacidade de solidão...
Eu carrego seu coração comigo(carrego no meu, seu coração) Nunca estou sem ele(onde eu for você vaiE o que quer que eu façaeu faço por você)Eis o segredo que ninguém sabe(Aqui está a raiz da raiz o broto do broto e o céu do céu de uma arvore chamada vida;que cresce mais do que a alma pode esperarou a mente pode esconder)E esse é o prodígio que mantém a distância entre as estrelasEu carrego seu coração comigo(carrego no meu, seu coração) – ee cummings


Vícios do coração sem comportamento...
Só Imogen, Just for now, acompanha este coração!

quarta-feira, 4 de julho de 2007




Tá marcado!


Tá marcado!


Tá marcado!



Sr. Ternura bate mais forte....
"A angústia é a expressão de uma perfeição da natureza humana,pois é só através dela que o homem poderá elevar-se à existência autêntica. A angústia aniquila nele todas as suas seguranças habituais para o entregar ao abandono donde unicamente pode surgir a autêntica existência"

Ai ai... Me pega demais. Depois que assumi ser uma angustiada nata parece que me abracei com carinho. Pra que não gostar de algo tão seu? Tão perfeito na sua existência real e tão coerente? A dura escola da angústia.....Hoje me faz rir demais. Rir do nada, rir pra tudo, pra todos. E é sincero pra caralho.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

"Hoje estou pensando que ter amado meio torto durante tanto tempo talvez esteja me conduzindo a algo mais claro? É uma dúvida que te coloco. E sinto coisas tão boas, Luciano, ondas de energia clara que me sobem kundalini acima- e então penso que está certo assim, na nossa sede infinita (Drummond) acreditar e levar porrada mas voltar a acreditar e cair do cavalo e não deixar de acreditar e se desenganar e arrebentar, mas continuar acreditando que, de alguma forma, há uma resposta de humano para humano. E que amar o humano do outro é aceitar o teu próprio humano (...)"
Uma leveza, voar pela casa, procurar fotos que digam alguma coisa de verdade, colher pássaros, te ver dormindo e ter calma, apreciar seu sonho, entrar nele......Pegarei um de nossos discos, aqueles que separei de madrugada, e vou ouvir meiodormindo. Vou pensar em uma cena, um jeito de falar de amor, de amor. Amor sempre é lindo em espanhol. Pegarei algo cantado em espanhol, amor. Sei cantar junto, sei dançar junto, sei sentir junto....

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Um blue...de ACC

Um Beijo que tivesse um blue. Isto é imitasse feliz a delicadeza, a sua, assim como um tropeço que mergulha surdamente no reino expresso do prazer. Espio sem um ai as evoluções do teu confronto à minha sombra desde a escolha debruçada no menu; um peixe grelhado um namorado uma água sem gás de decolagem: leitor embevecido talvez ensurdecido "ao sucesso" diria meu censor "à escuta" diria meu amor........................................

Começou

Senhor Ternura está batendo, Senhor Ternura está batendo, Senhor ternura está.....
Vontade de voar e de falar das bobagens do coração, pra isto, isto.
Recanto, refúgio, prazer, Sou eu.