quinta-feira, 26 de junho de 2008
Primeiro dia de FIT. Espetáculo dos Tchecos do Farm in the cave. Saí de lá feliz. Nada de grandes truques ou atuações, nada de “espetacular”. Mas, está tudo lá. É destes espetáculos que dá vontade de fazer. De estar com eles, experienciando, fazendo parte. Me lembrei do Grupo Oficcina Multimédia muitas vezes. O trabalho de rítmica, a movimentação cênica, os pormenores.Me lembrei deles, do Multi, principalmente nos ensaios. Fiquei pensando que aquele é um grupo tcheco que vive uma realidade tcheca e o tanto que isso muda as coisas. Sim, ser de um lugar muda tudo. Estive em Praga em 1998. Vi pessoas tristes vestidas de bege e cinza e tive choque térmico e fui roubada em 500 marcos alemães e em um pacote com dez maços de Galouases azuis. Era ano novo. Voltei para o hotel bege chorando, meu amigo argentino pagou a corrida. Era um lugar triste. Não parecia haver espaço para teatro. Mas, sempre há. Sempre. Espetáculo simples, cheio de coisas muito bem simples, coisas inclusive já vistas, mas não por tchecos. Isso muda tudo. Muitos artistas na platéia. Aplaudem. E vamos ao bar do FIT, o ponto de encontro. Meu Deus, todos de plantão longe da música (boa, sim) para falar alguma coisa que soe útil. Analisando o Farm, os japoneses e o show do Nóbrega. Opiniões, opiniões! Como somos opinativos, fucking hell. Artistas de BH nas beiradas do lugar (nas entradas e saídas), sem fazer parte, só marcando presença. Para se achar útil. Sem dança, sem vida. Só papo. Papo de Edifício Maletta, papo de nada. Acho que ninguém percebeu que não são importantes, de fato. Que não vale a pena perder a dança, o momento. Que esse papo mostra mais a bobagem de cada um, as piores, que do espetáculo em questão. Saí para dançar com o pessoal de outra área.
terça-feira, 24 de junho de 2008

Hoje não dormi um sono que não quis por pergunta de anos, desde que existo. O que a gente faz com o amor que a gente sentiu um dia? Não que eu não tenha feito do jeito que eu sabia na hora, mas como consegui é que as vezes ainda não entendo. Ou entendo, claro. Só gosto de reperguntar. Porque mesmo esvaziado ainda tem uma forma de amor, de memória que reside cheia de significado. Como a gente diz amar. E depois já não ama. O efêmero assuta. Li cartas de amor tão sinceras por hoje. Essas letras existem, a memória também não falha. Mas, cadê o ser humano? Aquele que se amou tanto. Se amou e se machucou. Se descarta, porque a gente precisa respirar porque não existe só o amor na vida.
“Sou intermitentemente, infiel. Esta é a condição de minha sobrevivência; pois, se não esquececesse, eu morreria. O amante que não esquece algumas vezes morre por excesso, cansaço e tensão de memória.” (Barthes)
“Sou intermitentemente, infiel. Esta é a condição de minha sobrevivência; pois, se não esquececesse, eu morreria. O amante que não esquece algumas vezes morre por excesso, cansaço e tensão de memória.” (Barthes)
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