segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Fim de temporada, mas com cabelão












Fim de temporada, ainda com cabelão. Cabelão virou meu, consolatriz cheia de vontades.
Uso cabelão como próprio, de original e se alguém questiona não se diz palavra.
Lavo, cuido e hidrato. Penteio e arrumo. Ajeito e ajeito. Tem coque, trança e adereços.
Cabelo grande é bem de mulher. É como lavar uma roupa lavar um cabelão.
E, por este ano, Fala comigo encerrou. Voltamos, ano que vem, com força. Projeto feliz, projeto bonito de encher paredes de homenagens. Niguém segura esse povo. Niguém segura Cynthia. Ninguém segura Paolo. Ninguém segura Toso. Niguém segura Samira. "As violetas nos imensam"... Deve ser por isso...







segunda-feira, 28 de julho de 2008

TPM. Desculpa pura. Alguma disfunção hormonal, quem me dera. TPM, ainda acredito. Chorei com filmes lindos e ridículos, chorei por mortes hipotéticas, chorei por causa do meu carro com motor FUnDIDO. Atrasei respostas, não conferi antenção, fingi de morta, sofri com quase-crença apocalíptica e continuo fazendo as mesmas coisas: não dei duas respostas sérias, fingi de morta faz poucos minutos e se deixar ainda sofro copiosamente agora com alguma fantasia de Apocalipse. Queria ser um macho de respeito neste momento. Só lembro deste slogan da Sony. Não lembro o das mulheres. Mas, deve ser algo de desesperador. Hoje: fechei uma Lei de incentivo, conversei com amigos, comi um marshmalow gigante, comprei Nutella a distância e não escrevi uma linha sobre Performance (estou em processo performático). Hormonal e feminino.

quarta-feira, 23 de julho de 2008


Férias me traem, me colocam à minha disposição. São como ritos de passagem, com ou sem viagem. Esse ano o motor do carro fundiu, adeus Diamantina e seus planos de noite de inverno. De qualquer forma prefiro viagens mais lontanas. Leio Ode Marítima, de Álvaro de Campos em uma edição português-italiano “Buon Viaggio! Buon Viaggio! La vita é questo...”. A vida é isto. Com ou sem viagem.
À minha disposição, fico por alguns dias paralisada. Sempre. Onde começar, onde arrumar, como ver as coisas com a cabeça de uma pessoa à disposição? Na verdade, levo alguns dias para ver mesmo as coisas. Mudar a pespectiva, não olhar, mas ver, entender, dar atenção, botar foco, desmitificar ou agravar, fixar ou jogar fora, decidir e deliberar. Férias costumam, a princípio, serem severas para mim. As levo muito a sério. E as de julho, principalmente, parecem mais perfeitas que as do final-início de ano. Ali, tudo se perde no manancial do “novo” irritante, sempre o mesmo velho branco promissor e pasmaceiro, cheio de artifícios e abraços e promessas e sorrisos. Em julho, pelo menos, ninguém promete nada. Só pára um pouco para seguir, sem muitos alardes. Muitos nem param, mas a cidade já acalma e isso é um tipo de paradeiro mesmo para quem não pára de fato. Julho é mês tolerante. Como uma parada na padaria para um picolé. Como uma carta de desculpas. Uma ternura marítima...

sábado, 12 de julho de 2008





Amo ela. Ela muda meu dia. Ela ajeita qualquer bad day. Ela me faz rir quando começo a chorar, mesmo quando é fingimento. Ela nunca finge. Ela me abraça quando começo a calçar sapatos. Ou ela quer ir comigo ou não quer que eu vá. Prefiro sempre ficar com ela, mesmo não podendo. Quando entro na rua de casa, lembro dela. Sempre sorrio ao lembrar dela. Ela é minha amiga. A gente se cuida. Ela cuida muito de mim, mesmo sem perceber. Uma vez eu estava dormindo e alguém entrou no quarto e ela não deixou a pessoa entrar. Ela cismou. Ela cisma às vezes. Ela está cada dia mais engraçada. Ela tenta conversar e então sai sons engraçados da sua boca. Ela acaba dizendo e eu acabo entendendo. Ela ama pão de sal. De doce, menos. Não posso dar muito porque ela já teve anemia. Aí tivemos (eu e os amigos dela) que dar fígado rico em ferro para ela. Ela gosta de banho quente e da sua bola amarela. Ela gosta dos brinquedos de crianças, principalmente os de pelúcia ou daqueles que produzem sons. Ama música. Gosta de pegar peças de roupa e espalhar pela casa, de destruir rolos de papel higiênico e almofadas forradas com tecido de chita. Das outras almofadas, não. Ela é ela, muito sincera, muito inteira. Faço qualquer coisa por ela. A gente fica se olhando e sempre resolvemos uma nova brincadeira. A gente não troca uma palavra e conversamos por horas. Ela me deixa dormir até mais tarde quando estou cansada e quando ela vê que eu acordei faz corridas imensas do corredor a cama e da cama ao corredor. Uma festa! Ficamos correndo bobamente, sem nenhum propósito, mas ela coloca muito sentido nisso. Ela coloca sentido em muita coisa. Ficar na garagem, por horas. Ir a padaria. Ir na esquina. Andar de carro. Ir na vizinha. Na praça. Ela ama as praças. A nossa vida é bem nossa. A nossa vida é bem jeitosa.

segunda-feira, 7 de julho de 2008


Hoje sou “uma bola de substância irritável”.
Meus pés constantemente congelam, dando uma parecência de flutuamento. Não estou sabendo o grau de publicidade que devo dar à angústia. Acho melhor dar de menos, pois sou altamente influenciável pela dimensão e atenção que dou às coisas. Tapos os olhos constantemente. Não vejo e também não ouço. Um autismo conveniente. Consigo tirar do meu mapa de visão qualquer um que me desagrade. Passo correndo de bancas de resvistas, se o tema da semana me pertuba. Desvio todos os assuntos, sem que ninguém perceba. Nem eu, na hora. Só depois, e talvez. Tem coisa também que não deixo sentir na hora. Tamanho preparo para ocasiões, que pré-organizo. Depois choro na derrota do fluminense, enquanto um jogador chora. Não conheço esse time, nunca ouvi falar. Mas, chorei, em abundância, na sua derrota na semana passada. Sim, a vida é blá blá blá. Eu sou: blá, blá, bla. Eu só quero que meu blá faça algum sentido essa semana, e sou capaz de ser feliz por somente isso. Mas, no fundo, também quero voltar para a europa. Ou, me encontrar enquanto leio textos teóricos. E me colocar no meu lugar.

domingo, 6 de julho de 2008

Porque a vida é blá blá blá.
Você espera blá e, às vezes, encontra.
Mas, na maioria das vezes é bla blá bla.
E, esperar blás. E esperar estar certo pelos blás blás blás que fez
E então, quando você acha que entendeu todo lance do blá, e está cercado por aqueles que você blá, a morte aparece.
E Blá blá blá.

*tirado do seriado Weeds

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Primeiro dia de FIT. Espetáculo dos Tchecos do Farm in the cave. Saí de lá feliz. Nada de grandes truques ou atuações, nada de “espetacular”. Mas, está tudo lá. É destes espetáculos que dá vontade de fazer. De estar com eles, experienciando, fazendo parte. Me lembrei do Grupo Oficcina Multimédia muitas vezes. O trabalho de rítmica, a movimentação cênica, os pormenores.Me lembrei deles, do Multi, principalmente nos ensaios. Fiquei pensando que aquele é um grupo tcheco que vive uma realidade tcheca e o tanto que isso muda as coisas. Sim, ser de um lugar muda tudo. Estive em Praga em 1998. Vi pessoas tristes vestidas de bege e cinza e tive choque térmico e fui roubada em 500 marcos alemães e em um pacote com dez maços de Galouases azuis. Era ano novo. Voltei para o hotel bege chorando, meu amigo argentino pagou a corrida. Era um lugar triste. Não parecia haver espaço para teatro. Mas, sempre há. Sempre. Espetáculo simples, cheio de coisas muito bem simples, coisas inclusive já vistas, mas não por tchecos. Isso muda tudo. Muitos artistas na platéia. Aplaudem. E vamos ao bar do FIT, o ponto de encontro. Meu Deus, todos de plantão longe da música (boa, sim) para falar alguma coisa que soe útil. Analisando o Farm, os japoneses e o show do Nóbrega. Opiniões, opiniões! Como somos opinativos, fucking hell. Artistas de BH nas beiradas do lugar (nas entradas e saídas), sem fazer parte, só marcando presença. Para se achar útil. Sem dança, sem vida. Só papo. Papo de Edifício Maletta, papo de nada. Acho que ninguém percebeu que não são importantes, de fato. Que não vale a pena perder a dança, o momento. Que esse papo mostra mais a bobagem de cada um, as piores, que do espetáculo em questão. Saí para dançar com o pessoal de outra área.

terça-feira, 24 de junho de 2008


Hoje não dormi um sono que não quis por pergunta de anos, desde que existo. O que a gente faz com o amor que a gente sentiu um dia? Não que eu não tenha feito do jeito que eu sabia na hora, mas como consegui é que as vezes ainda não entendo. Ou entendo, claro. Só gosto de reperguntar. Porque mesmo esvaziado ainda tem uma forma de amor, de memória que reside cheia de significado. Como a gente diz amar. E depois já não ama. O efêmero assuta. Li cartas de amor tão sinceras por hoje. Essas letras existem, a memória também não falha. Mas, cadê o ser humano? Aquele que se amou tanto. Se amou e se machucou. Se descarta, porque a gente precisa respirar porque não existe só o amor na vida.
“Sou intermitentemente, infiel. Esta é a condição de minha sobrevivência; pois, se não esquececesse, eu morreria. O amante que não esquece algumas vezes morre por excesso, cansaço e tensão de memória.” (Barthes)

sábado, 3 de maio de 2008



Quando eu faço uma dissociação, eu choro.
Ai, muito de mim...muito de mim...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Homenagem

Estou lendo várias coisas e preciso me retirar.
Não, não daqui protegida. Mas, de outros lugares. Para entrar em outros.
Tenho tido memórias repentinas e constantes que eu convivo com.
Sorrio verdadeiro, com olhar às vezes triste porque. Por quê mesmo? Ah sim, porquê já foi bom, já foi triste e bom, já foi com sentimento legítimo, já foi importante, já foi descuidado na hora mas só na hora, já foi inesquecível, já foi fundamental praquela hora e praessa hora, já foi cheio de dor que não se esquece, cheio de sonho já foi, já foi doce, já fez o maior sentido na hora, já foi ar que se respira, motivo, já foi fetiche,ódio, raiva, rancor, antipatia, medo, pânico, faltadear, ferimento, rompante de angústia, dódepeito, vaidade e luxúria, já foi paixão, é ainda paixão daquelas que matam pra sobreviver, já foi. Já foi. E isso é. Pra sempre. Por isso, respeito. E deixo vir em meus sonhos. E busco ainda nas memórias. Junto ás novas. Associo. Escolho as melhores. Monto um quadro, que me agrada. Como um do Klimt.

sábado, 15 de março de 2008

As vezes é de se perguntar o que está acontecendo, procurar uma música que diga isso.
Sei que tem terra lá trás. E água que não é bem vinda. Faço tragédias diárias e não abro mão.
A vida é cheia de som e fúria.
A vida é cheia de novos sons e novas fúrias.
Mas, sim, já me reuni na minha impotência e já entreguei a outros planos de maior garantia.
Não posso fazer nada com aquela terra toda, com á agua, com a chuva.
Ascendi a vela, uma violeta também eu acendi. Estou ascendendo.
Dentro de uma necessidade de ser atendida e de entender.
Sim, precisar fazer parte, sim. Mas, mais: precisar entender.
E, nessa hora não me reconheço na minha minusculidade global.Ainda procuro entender as coisas ouvindo músicas em espanhol, que me entende. E, agora vem o francês. Que me encanta. Dançar em francês. Cantar em. morrer em.
Mas, vivo tragédias diárias em busca de...um devir. Que sempre vem, e que.
Viver é muito cansativo.
Mas, não estou cansada, mesmo que fale.
Sequer consigo desistir.
Imito elas, as cantoras. Imagino a dança.
E, a terra lá no fundo me tira a ginga francesa.
Procuro uma canção que adorava fingir de ser e não há mais.
Não há.
Estou ainda buscando a música certa.
E eu tô assim pra caralho. Assim. Não dá pra saber. Não dá pra dizer
Precisa estar. Pra saber, sabe?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Dasein


A princípio, quando a moça disse que sentia angústia, o rapaz se surpreendeu tanto que corou e mudou rapidamente de assunto para disfarçar o aceleramento do coração.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008


Fragilidade


Este verso, apenas um arabesco em torno do elemento essencial - inatingível. Fogem nuvens de verão, passam ares, navios, ondas,e teu rosto é quase um espelho onde brinca o incerto movimento,ai! já brincou, e tudo se fez imóvel, quantidades e quantidades de sono se depositam sobre a terra esfacelada.N ão mais o desejo de explicar, e múltiplas palavras em feixe subindo, e o espírito que escolhe, o olho que visita, a música feita de depurações e depurações, a delicada modelagem de um cristal de mil suspiros límpidos e frígidos: não mais que um arabesco, apenas um arabesco abraça as coisas, sem reduzi-las.

Carlos Drummond de Andrade in A rosa do Povo

domingo, 20 de janeiro de 2008

Canseira de Janeiro.
Não me comporto em Janeiro.
É mês que não me estou, não me caibo.
Deve ser a baboseira da novidade e o calor.
Entendo a náusea do sol em O Estrangeiro.
Se fosse matar alguém, seria em Janeiro.
Bem claro, bem claro

Por que você faz cinema? (cabe Teatro aqui demais....)

Para chatear os imbecis / Para não ser aplaudido depois de seqüências dó-de-peito / Para viver à beira do abismo / Para correr o risco de ser desmascarado pelo grande público / Para que conhecidos e desconhecidos se deliciem / Para que os justos e os bons ganhem dinheiro, sobretudo eu mesmo / Porque, de outro jeito, a vida não vale a pena / Para ver e mostrar o nunca visto, o bem e o mal, o feio e o bonito / Porque vi Simão no Deserto / Para insultar os arrogantes e poderosos, quando ficam como cachorros dentro d’água no escuro do cinema / Para ser lesado em meus direitos autorais.
JOAQUIM PEDRO DE ANDRADE
Publicado em Pourquoi filmez-vous? / Libération / Paris / maio de 1987