



Amo ela. Ela muda meu dia. Ela ajeita qualquer bad day. Ela me faz rir quando começo a chorar, mesmo quando é fingimento. Ela nunca finge. Ela me abraça quando começo a calçar sapatos. Ou ela quer ir comigo ou não quer que eu vá. Prefiro sempre ficar com ela, mesmo não podendo. Quando entro na rua de casa, lembro dela. Sempre sorrio ao lembrar dela. Ela é minha amiga. A gente se cuida. Ela cuida muito de mim, mesmo sem perceber. Uma vez eu estava dormindo e alguém entrou no quarto e ela não deixou a pessoa entrar. Ela cismou. Ela cisma às vezes. Ela está cada dia mais engraçada. Ela tenta conversar e então sai sons engraçados da sua boca. Ela acaba dizendo e eu acabo entendendo. Ela ama pão de sal. De doce, menos. Não posso dar muito porque ela já teve anemia. Aí tivemos (eu e os amigos dela) que dar fígado rico em ferro para ela. Ela gosta de banho quente e da sua bola amarela. Ela gosta dos brinquedos de crianças, principalmente os de pelúcia ou daqueles que produzem sons. Ama música. Gosta de pegar peças de roupa e espalhar pela casa, de destruir rolos de papel higiênico e almofadas forradas com tecido de chita. Das outras almofadas, não. Ela é ela, muito sincera, muito inteira. Faço qualquer coisa por ela. A gente fica se olhando e sempre resolvemos uma nova brincadeira. A gente não troca uma palavra e conversamos por horas. Ela me deixa dormir até mais tarde quando estou cansada e quando ela vê que eu acordei faz corridas imensas do corredor a cama e da cama ao corredor. Uma festa! Ficamos correndo bobamente, sem nenhum propósito, mas ela coloca muito sentido nisso. Ela coloca sentido em muita coisa. Ficar na garagem, por horas. Ir a padaria. Ir na esquina. Andar de carro. Ir na vizinha. Na praça. Ela ama as praças. A nossa vida é bem nossa. A nossa vida é bem jeitosa.
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