quarta-feira, 23 de julho de 2008


Férias me traem, me colocam à minha disposição. São como ritos de passagem, com ou sem viagem. Esse ano o motor do carro fundiu, adeus Diamantina e seus planos de noite de inverno. De qualquer forma prefiro viagens mais lontanas. Leio Ode Marítima, de Álvaro de Campos em uma edição português-italiano “Buon Viaggio! Buon Viaggio! La vita é questo...”. A vida é isto. Com ou sem viagem.
À minha disposição, fico por alguns dias paralisada. Sempre. Onde começar, onde arrumar, como ver as coisas com a cabeça de uma pessoa à disposição? Na verdade, levo alguns dias para ver mesmo as coisas. Mudar a pespectiva, não olhar, mas ver, entender, dar atenção, botar foco, desmitificar ou agravar, fixar ou jogar fora, decidir e deliberar. Férias costumam, a princípio, serem severas para mim. As levo muito a sério. E as de julho, principalmente, parecem mais perfeitas que as do final-início de ano. Ali, tudo se perde no manancial do “novo” irritante, sempre o mesmo velho branco promissor e pasmaceiro, cheio de artifícios e abraços e promessas e sorrisos. Em julho, pelo menos, ninguém promete nada. Só pára um pouco para seguir, sem muitos alardes. Muitos nem param, mas a cidade já acalma e isso é um tipo de paradeiro mesmo para quem não pára de fato. Julho é mês tolerante. Como uma parada na padaria para um picolé. Como uma carta de desculpas. Uma ternura marítima...

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